O Bolsonaro cansou. Botou a mão na cintura e está vendo a bola passar pra lá e pra cá. Não quer correr, não quer chutar, perdeu a vontade de marcar. Ele já aceitou o resultado; está em campo só esperando o jogo acabar e está torcendo pro juiz apitar o fim do jogo rápido. Tá osso. Estamos, meus caros, assumidamente lascados.

Só ontem, o presidente deixou isso claro duas vezes. Na primeira ele falou que o Brasil está quebrado e ele não pode fazer nada. Como assim, ora pois? É ele, especialmente e quase exclusivamente ele que pode fazer alguma coisa. Quando alguém se candidata a presidente tem que saber disso desde o começo. Bolsonaro não tem o direito de fugir da responsabilidade.

Na segunda vez, o presidente foi comentar sobre o desemprego no país e disse que é difícil resolver. Bom isso todo mundo sabe, se fosse fácil não precisava de presidente. Mas ele foi além. Segundo o Bolsonaro o desemprego é grande, pois o brasileiro não é qualificado. Pois bem, caro presidente, se você sabe a razão já tem metade do caminho andado. Corrija. Qualifique o povo. É para isso que o senhor foi eleito.

Quando Fernando Henrique Cardoso foi presidente, o Brasil era um país de analfabetos. Bem ou mal FHC agiu para a universalização da educação básica. Quando Lula foi presidente, a universidade era uma exclusividade de ricos e endinheirados de diferentes níveis. O petista então agiu para ampliar o acesso. Criou o Prouni, FIES, Reuni, IFs e outras iniciativas semelhantes.

Agora é sua vez, Bolsonaro. Faça alguma coisa. Mas, ele não faz. O presidente age como o artilheiro que vê a bola sobrar na beira da área, mas fica com preguiça de correr pra chutar. Bota a mão na coxa, xinga o companheiro de time que mandou a bola muito na frente e fica ocupando espaço dentro do campo. Bolsonaro virou uma âncora, no mau sentido. É o famoso “melhor jogar com dez”.

Numa situação dessas só tem duas alternativas: ou o técnico substitui o jogador ou o próprio jogador finge ali uma lesão na parte posterior da coxa, mete a mão na perna, cai no chão, faz um teatrinho e pede pra sair.

No caso em questão, o técnico é o povo. O povo pode exigir a saída do presidente. Mas isso dá trabalho, queima filme, causa racha no elenco, provoca a torcida, não rola. É tumulto demais para o momento. Melhor então seria o presidente fingir uma contusão e pedir pra sair.

Sei lá… como dizia o meu avô… fala que tá com caspa. Põe a culpa no Maia, diz que é pra se defender, que é pra proteger a família dos ataques desleais do Ministério Público… sei lá… inventa qualquer coisa e vaza… some! Vai pro vestiário mais cedo, despede dos colegas e diz que vai passar um tempo na Europa. Sempre dá certo.

Nós sabemos. O senhor cansou de ser presidente. Campanha é legal, todo mundo elogiando, puxando saco. Gente te carregando nas costas e trazendo água na peneira só pra te agradar. Eu sei. O problema é virar o astro principal do time. Torcida enchendo a paciência, a crítica metendo o pau e as soluções num drible que, você sabe, vai muito além do seu talento individual.

O presidente deve estar morrendo de saudade de quando era ali “um reserva de luxo”. Alguém que o técnico olhava, mas não colocava em campo. Aí no final do jogo ia lá, dava uma entrevista lamentando não ter entrado e dizendo que continuava à disposição do time. Ruim é ter que entrar e assumir a faixa de capitão.

Bolsonaro. Finge logo uma contusão e acaba com essa tortura. Ou então, volta logo pro jogo e assume a responsabilidade de levar o time a vitória. Mas, uma coisa é certa, do jeito que tá num rola.